Futuro? Que futuro?

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Foto: Agência Brasil

Por Paulo Cavalcante

Este processo de deposição de uma presidenta da República eleita democraticamente não é apenas a revanche concebida após a derrota em 2014. Não é apenas ilegal, pois não há ato da presidenta cometendo crime de responsabilidade.

É uma irresponsabilidade perpetrada contra brasileiros vulneráveis, pobres e assalariados por parte das elites econômicas, de seus representantes políticos no Congresso Nacional, do poder judiciário (conexão Moro-STF), do ministério público federal (conexão de promotores e procuradores federais em Curitiba com Janot), da Polícia Federal, dos órgãos da grande imprensa e por considerável parcela da sociedade brasileira impregnada e convencida pela campanha demolidora desta grande imprensa.

Por isso, internamente (a imprensa estrangeira já trata como golpe) e para esta parcela da população, não se trata de um golpe. Tudo parece transcorrer “dentro da lei” e “dentro da normalidade”, afinal, ao fim e ao cabo, estas pessoas habitam a realidade representada cotidianamente pela grande imprensa em seus noticiários e novelas.

Mas as pessoas não são tolas por inteiro.

Muitos são absolutamente manipulados e acham, por exemplo, que só existe um único museu no Rio de Janeiro: o Museu do Amanhã, na praça Mauá, e fazem filas descomunais, respondendo à intensa campanha da Globo sobre o seu museu.

Outros sabem muito bem que existem outros museus, convivem com a ludibriação, dão uma passadinha na Praça Mauá, fazem o check-in no Facebook e seguem suas vidas.

Destes últimos, uma pequena parte fica cinicamente feliz com o “fato” de o brasileiro agora perceber a importância de ir aos museus e até comenta sobre isso com seus amigos enquanto percorre as salas de exposição do Louvre ou do MoMA.

Sabem porque as elites agem irresponsavelmente? Porque nenhuma elite jamais, e em tempo algum, precisou de democracia. Quem precisa de democracia é o povo, o povo trabalhador.

Os trabalhadores assalariados, muitos deles apoiando a derrubada da presidenta Dilma, com raiva nos olhos e ódio de classe no coração em virtude de portarem uma consciência partida decorrente do fato de viverem e pensarem sua vida e condição com os valores da classe a que não pertencem, isto é, a burguesa, e de só lhes restar esconder-se atrás do rótulo impreciso de classe média (nem cá nem lá, e sempre ameaçada de cair no “cá” e de jamais chegar no “lá”), bem, e digo isso com tristeza, vocês deram, mais uma vez, um tiro no pé.

Levará tempo para tudo ficar mais claro. O tempo poderá até me desmentir. É possível, mas acho pouco provável. No entanto, mesmo que o tempo confirme tudo o que venho dizendo com os sofrimentos que se pode antever, muitos continuarão a negar a realidade e a verdade.

Poucos terão a coragem de reconhecer o erro. Muitos encontrarão alguém para jogar a “culpa” e seguirão seu caminho de auto-engano e erros de braços dados com as Organizações Globo.

Um dos sofrimentos antevistos é que dificilmente se aposentarão. Se se aposentarem, o farão sem nenhuma dignidade e lhes faltarão recursos para o devido remédio e tratamento de modo a acompanhar suas novelas com aquela alienada tranquilidade costumeira. Aí, por fim, reclamarão ações e ajuda do governo que eles próprios constituíram.

Lamento, mas será tarde. Este governo que vocês constituíram jamais pensou em olhar por vocês. Ele é fruto do golpe e sequer teve o seu voto.

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