O golpe do parlamentarismo na prática

folhaPor Paulo Cavalcante

Hoje, no dia do trabalhador, a matéria de capa da folha golpista diz que o vice golpista, Temer, terá base parlamentar para alterar a Constituição.

Agora, vejam só, a eleição de 2014 foi disputadíssima, cheia de falsos aliados e puladas de cerca. Dilma obteve 54,4 milhões de votos (51,64%) enquanto Aécio alcançou 51 milhões (48,36%).

Alguém aqui supõe que Dilma tenha vencido graças ao carisma pessoal de Temer? Temer jamais venceu uma eleição majoritária. Nunca foi prefeito, nem governador, nem senador. Foi deputado federal e olhe lá.

Dilma deve sua reeleição graças às realizações dos governos do PT, do seu próprio, e ao carisma de Lula. Simples assim.

O país saiu dividido do pleito de 2014 e a elite, golpista desde a raiz, não fez outra coisa senão alimentar o golpe, reunindo suas forças, organizando-se e mobilizando seus eleitores por intermédio da grande imprensa e suas matérias sincronizadas com a Operação Lava-Jato.

Temer, repito, não tem votos. Nem ele nem seus amigos, conforme matéria de hoje no globo golpista. Nem Moreira, nem Padilha, nem Geddel foram eleitos. Estão todos no limbo da política, mas, por causa do golpe, ganham protagonismo.

Será tão difícil enxergar isso?

Os brasileiros de boa fé que, sinceramente, creem que o melhor é tirar Dilma e o PT do governo federal estão dando carta branca para políticos repudiados nas urnas. Como já disse em outro comentário, o significado deste golpe é implantar, na prática, o parlamentarismo que o povo recusou no plebiscito de 1993.

As elites golpistas, quando não governavam por intermédio de regimes autoritários e ditatoriais, sempre pregaram o parlamentarismo.

Deram o golpe do parlamentarismo contra João Goulart, em 1961.

Em 1963, por voto popular em plebiscito, foi restaurado o presidencialismo.

Tentaram implantá-lo na Constituição de 1988, perderam, mas ficou acertado novo plebiscito que, realizado em 1993, manteve o presidencialismo. Leonel Brizola atuou nos dois, como mostra a foto da vitória no último deles.

Hoje, em 2016, está em curso novo golpe para colocar no poder políticos sem votos e instaurar um parlamentarismo de fato no interior do presidencialismo de direito.

Direito? Ah, não podemos nos esquecer da fingida omissão do Supremo Tribunal Federal. Os ministros, dissimulados, fingem distanciamento olímpico, mas, com isso, tomam o partido dos golpistas.

E quanto aos trabalhadores neste seu dia?

Alguns combatem o golpe e, hoje, estão nas ruas lutando.

Outros julgam não haver nenhum golpe em curso e, cheios de esperança, creem em dias melhores. Pura ilusão.

Essa gente do Temer que assumirá o poder com a consumação do golpe fará o trabalhador pagar preço altíssimo pelo tal ajuste das contas do governo.

Os golpistas não tem nenhum compromisso com você, população brasileira. Eles sequer tem o seu voto.

Um comentário sobre “O golpe do parlamentarismo na prática

  1. O voto popular nunca foi tão vilipendiado. A democracia nunca foi tão manipulada. E os golpes parlamentares estarão cada vez mais em voga e cada vez mais eficientes. O direito positivo, demonstrou ser inaplicável cada vez menos, quando os interesses das elites falam mais alto.

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