O dia em que Moro deixou de ser juiz

mussolini

Por Gustavo Fontana Pedrollo

No teor das conversas de Lula divulgadas na tarde de ontem não há nenhuma ilegalidade. Nenhuma. Falar palavrão não é ilegal – aliás, nem imoral, e nem anti-ético, eu falo palavrão dando aula, e já no início aviso que não vou mudar isso. O palavrão é libertador e meus alunos podem falar também.

Não há obstrução da justiça, pois a troca de competência jurisdicional não é nem nunca vai ser obstrução ao exercício da jurisdição. Então, nomeação de ministro não pode ser considerada obstrução.

As conversas gravadas são políticas, contém análises normais de conjuntura que eu pessoalmente faço constantemente ao vivo, por telefone, no whatsapp. E quando faço ao vivo, com tantos quantos ou mais palavrões que Lula.

Foram divulgadas gravações flagrantemente ilegais, e aqui me refiro à ilegalidade do ato de gravar e de divulgar. Já não havia sequer ordem judicial para tanto, e foram gravadas e divulgadas.

Mas noves fora tal ilegalidade, vamos considerar, por um momento, e apenas por um momento, que as gravações se deram de acordo com a lei – o que é bastante discutível, considerando que até mesmo o sigilo do cliente com seu advogado foi quebrado, e que foram gravadas conversas da Presidenta da República, que tem foro privilegiado e para ser gravada precisaria de pedido do Procurador Geral da República e autorização do STF.

Mas vamos desconsiderar por um momento a ilegalidade das gravações em si. No seu conteúdo não há qualquer ilegalidade, mas apenas conversas políticas normais.

Por que então o magistrado que, ao determinar a condução coercitiva de Lula se disse preocupado com a convulsão social que isso poderia causar, divulgou tais conversas ontem, precisamente quando poderiam E EFETIVAMENTE CAUSARAM enormes conflitos sociais? Por que o fez se não há nelas sequer indício de ilegalidade?

Ora, por que Moro tornou-se um ator político, tentou claramente intervir no debate político nacional, e deixou de ser juiz, perdeu qualquer condição de imparcialidade e não pode, por isso mesmo, conduzir os processos que estão sob sua competência.

E ao cometer referidas ilegalidades, ao tentar interferir no processo político brasileiro, o (ex-?)magistrado tornou absolutamente legítima a vontade de qualquer pessoa de não ser julgado por ele, de ser julgado por um órgão com um mínimo de imparcialidade e distanciamento para a tomada de decisões jurídicas que respeitem a Constituição e as leis.

Ainda que a decisão de Lula no sentido de assumir um ministério seja sobretudo prejudicial a ele do ponto de vista jurídico, pois perde o direito ao duplo grau de jurisdição, e ademais, arriscada do ponto de vista político, pois põe sua biografia política à prova para tentar salvar um governo com inúmeros problemas para conquistar estabilidade política, ainda assim, eu dizia, para quem afirmava que ele só assumia o cargo para fugir da jurisdição de Moro, o dia de ontem provou que há motivos suficientes, sim, e muito claros, para que qualquer pessoa queira fugir de um juiz que desrespeita as liberdades básicas, a intimidade, o sigilo e expõe até mesmo a Presidência da República de nosso país publicamente por meio de gravações ilegais.

5 comentários sobre “O dia em que Moro deixou de ser juiz

  1. Sensacional sua abordagem! Concordo em gênero, número e grau. Só acrescento que num dos áudios fica claro que o grampo do Moro está em Dilma. Não Lula. Justamente aquele feito no dia da 24 fase da LJ. Ilegalidade flagrante. #MoroExonerado | #MoroGate |

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  2. Excelente texto.

    Isso é uma prova da nossa (ainda) frágil democracia, uma prova de fogo como “nunca dantes na história deste país” eu diria.

    Se ela (a democracia) resistir – e eu creio que resistirá, pois não é possível um juiz de 1ª instância fazer o que faz embaixo do nariz das autoridades – será mais um passo rumo a consolidação de um Estado Democrático pleno.

    O que não significa que não devemos resistir ou denunciar este golpe em curso.

    Querendo ou não, Moro desafia e fortalece a democracia. Está fazendo história, mas de outro jeito…

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  3. Vocês só podem só podem estar malucos de defender alguém que até agora só afundou o Brasil. Será que não vêem o rumo que o pais está tomando? Será que não percebem o quanto essa corja já roubou? Eles devem mesmo dar gargalhadas porque além de tudo isso ainda tem otários que defendem com unhas e dentes esses bandidos.

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  4. Infelizmente somos um povo que não olha o seu passado para não cometer os mesmos erros em suas decisões e se dobrar seus joelhos e dizer e propagar amém a tudo que a Rede Globo e essa elite má intencionada quer nos impingir. Há muito mais em jogo do que a simples destruição da imagem de um grande líder e um dos maiores presidentes que este país já teve, LULA me representa e o partido dos trabalhadores também, apesar de algumas vezes ter se aliado com o DIABO, VISTO Delcídio UMA CASCAVEL JOGADA NO COLO DO PT pelo FHC e sua turma. Sou contra a CORRUPÇÃO, mas porque investigar somente os últimos 12 anos na Petrobrás , afinal várias DELAÇÕES MELADAS, informaram que isto ocorria desde o tempo do adultero FHC, pois todos nós sabemos e a Rede Globo também, pois mandou a jornalista Miriam para entrevistar pessoas que não tem nada a ver com nosso país para proteger sua imagem, afinal o FHC traiu dona Ruth Cardozo duas vezes comprovadamente.Então meu caros amigos, sugiro que esta população que adora putaria haja visto o monte de pessoas que assistem o BBB, o emburrecedor do povo, reflitam enquanto há tempo para dar um basta neste processo de destruição do PT e LULA.

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  5. Eu acho que a lei têm quer ser cumprida e não política, se é para investigar têm aercio, Serra e até a própria globo esse juiz têm que ser enquadrado na lei de segurança nacional amanhã ele pode condenar qualquer pessoa eu quero poder confiar na justiça e não ter medo dela como eu tenho. Democracia cada um têm uma maneira de pensar e os meios de comunicação em vez de tentar induzir as pessoas ensina elas a votaram mostra que está sendo processado,explica o que é voto nulo que com 51por cento dos votos seria pedido outra eleição, e mostrariam nossa insatisfação, e que se cria-se uma lei que a política não seja cabide de emprego e roubo que se passa de pai para filho os ladrões no poder são sempre o mesmo, então a todo meio de comunicação em vez de chamar o povo de burro ensina e mostre com fatos dentro da lei e seguindo a continuação não cometendo crimes.

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