Pesquisa do Instituto Paraná coloca Jacques Wagner no páreo em 2018

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Por Rogerio Dultra dos Santos

Ontem, 15/10, foi divulgada pesquisa de intenção de votos para a presidência da república (?) realizada pelo Instituto Paraná de Pesquisas. Nessa pesquisa, a grande imprensa ressalta que o Estado da Bahia, um reduto histórico do petismo e de eleitores de Lula, estaria se transformando num Estado aecista.

Vale uma análise mais cuidadosa dos dados que foram divulgados pela empresa. Embora deva-se salientar que, como em outras ocasiões, o instituto de pesquisa não compartilhou dados sobre o sistema de controle e de coleta, o que dificulta atestar de pronto a confiabilidade da mesma. No site também não há informação de quem foi o financiador.

É importante lembrar que o Instituto Paraná ficou conhecido no ano passado ao dar vitória para Aécio Neves no segundo turno da campanha presidencial com uma distância de 8 pontos percentuais para Dilma Rousseff (54% para Aécio e 46% para Dilma). Já naquela pesquisa, a margem de erro era alta, também de 5% para mais ou para menos.

Com uma margem de erro desta envergadura, aquela pesquisa se justificou como válida mesmo que, depois de apurados os votos, tenha se encontrado um resultado diametralmente inverso (51,64% para Dilma e 48,36% para Aécio). Os 46% da pesquisa de intenção de votos para Dilma se transformaram em quase seis pontos percentuais a mais quando as urnas foram abertas.

Pois bem, pela pesquisa divulgada ontem, Aécio, mais uma vez, aparece como queridinho dos eleitores. Só que agora na Bahia.

Antes de avaliarmos os dados relativos à longínqua campanha presidencial, é interessante chamar a atenção exatamente para o timing: quem financia uma pesquisa em 70 municípios da Bahia, com entrevistas com quase 2000 eleitores, quase três anos antes da campanha presidencial?

Afinal, uma pesquisa que deve ter custado, no mínimo, R$300.000,00 deve ter uma finalidade mais imediata. Será que é a antecipação das eleições? Aliàs, a pesquisa coloca a situação das eleições como “se fosse hoje”.

Por que os dados que ressaltam em blogs selecionados no site do próprio instituto, blogs regionais, falam basicamente da vitória de Aécio hoje e do impeachment de Dilma? E os rasultados são veiculados como verdades inquestionáveis?

Outra questão interessante é que, se os dados são confiáveis, o governo da Bahia, comandado pelo petista Rui Costa, aumentou o seu índice de aprovação, de 57,1% em julho para 59,5% em outubro.

Por estes dados, a Bahia continua petista.

Os índices de aprovação do governo Dilma Rousseff, embora baixíssimos pela pesquisa, também aumentaram entre julho e outubro, e representam quase o dobro da média de aprovação nacional. Dilma teria, na Bahia, aprovação de 13,2% em julho e 13,8% em outubro.

Os que são contra o afastamento (impeachment) da presidente, embora também minoritários, aumentaram em volume entre os mesmos meses: 22,8% em julho e 23,7% em outubro.

A novidade da pesquisa, noves fora a prevalência de Aécio Neves como o candidato preferencial dos baianos para hoje (?), é a presença de Jacques Wagner como candidato competitivo, superando candidaturas de Geraldo Alckmin e Ciro Gomes e praticamente se igualando à Marina Silva em intenções de voto.

Segundo a pesquisa, com os enormes 5% pontos percentuais de margem de erro, num primeiro cenário de candidatos, sem a presença de Jacques Wagner a disputa ficaria assim: Aécio (30,4%), Lula (27,5%), Marina (18,8%), Ciro (3,9%), Jair Bolsonaro (2,5%), Eduardo Cunha (1,9%), Caiado (0,3%).

Interessante notar que nesta pesquisa estimulada foram escolhidos candidatos “nanicos de direita, como Bolsonaro, Cunha (?) e Caiado (??). Estranho mesmo é que  não há presença de candidatos de esquerda, inclusive é de sublinhar a ausência de Luciana Genro, que obteve 1,55% dos votos no primeiro turno de 2014, a única acima dos 1% entre os candidatos “nanicos” que tiveram votação nas últimas eleições.

Num segundo cenário de candidatos, sem Aécio e com Alckmin, ainda sem a presença de Jacques Wagner, a disputa ficaria assim: Lula (30%), Marina (25,5%), Geraldo Alckmin (16,2%) Ciro (5,3%), Jair Bolsonaro (3%), Eduardo Cunha (2,4%), Caiado (0,3%).

Num terceiro cenário de candidatos, com Aécio e sem Lula, agora com a presença de Jacques Wagner a disputa ficaria assim: Aécio (32,6%), Marina (21,5%), Jacques Wagner (20,3%) Ciro (4,3%), Jair Bolsonaro (2,5%), Eduardo Cunha (1,7%), Caiado (0,4%).

Chama a atenção o fato de não ter sido realizada a pesquisa espontânea, ou seja, a pergunta sobre eleições presidenciais sem apontar candidatos. Na Bahia quem seria apontado sem a apresentação de uma lista de nomes? Não vamos saber pela pesquisa do Instituto Paraná.

Mais estranho é a presença de nomes que nem sequer representam um espectro específico da direita, como Ronaldo Caiado ou Eduardo Cunha. Mais verdadeiro seria colocar os nomes de nanicos já testados nas urnas, como Pastor Everaldo (0,75%) e Eduardo Jorge (0,61%), ambos cujos percentuais de votos foram mensurados nas eleições de 2014.

Um resultado global, que não será repercutido é exatamente que, pelo menos na Bahia, Jacques Wagner surge como alternativa. Lula ainda é um candidato fortíssimo, com os seus usuais 30% de intenção de voto de saída. Com Lula, foi assim em todas as eleições que disputou, inclusive nas que ganhou.

É que, com uma mídia que não somente massacra, mas criminaliza as esquerdas e em especial o PT, os candidatos só têm condição de dizer a que vieram no momento do horário político gratuito, isto é, no curto espaço de tempo em que a desigualdade de informação é relativamente equilibrada, quando notícias e dados de governo podem ser veiculados sem o usual enviesamento negativo. Como parece ser o desta pesquisa.

A impressão geral é que a pesquisa, neste momento e com estes resultados, também não se conformou com o que ocorreu nas eleições de 2014 e tenta, a todo custo, devolver a Aécio, o mais rapidamente possível e através de lucubrações estatísticas, o que a realidade das urnas o tirou.

 

2 comentários sobre “Pesquisa do Instituto Paraná coloca Jacques Wagner no páreo em 2018

  1. Ontem, 15/10, foi divulgada pesquisa de intenção de votos para a presidência da república (?) realizada pelo Instituto Paraná de Pesquisas. Nessa pesquisa, a grande imprensa ressalta que o Estado da Bahia, um reduto histórico do petismo e de eleitores de Lula, estaria se transformando num Estado aecista.

    #MENTIRA, FICAMOS 24 HORAS NA NET E NÃO SOUBEMOS DESSA PESQUISA …
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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